Por Felipe Zanoni · Editor-chefe
Publicado em 2026-05-03
Samsung Galaxy Watch7 Smartwatch 44mm BT Galaxy AI - Prata
R$1399.00
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Como cheguei nesse smartwatch
Meu relógio anterior era um Amazfit GTR 4. Bom produto, sem reclamação — mas chegou um ponto que eu tava cansado de ter um ecossistema pela metade. Usava Galaxy S23, tinha Galaxy Buds, e o Amazfit ficava ali no pulso fazendo o mínimo: notificação, passos, sono. Qualquer coisa além disso era workaround. Queria receber e responder mensagens direto do relógio, sabe? Não o resumo, a mensagem de verdade. Queria que o negócio conversasse com o telefone de forma nativa, não via app terceiro que às vezes sincronizava e às vezes não sincronizava.
Fiquei uns dois meses olhando o Galaxy Watch7. O preço me travava — R$ 1.399 é dinheiro real, não é qualquer coisa. Cheguei a considerar o Watch FE, que tava em torno de R$ 850, mas aí vi que não vinha com o Galaxy AI e as funcionalidades de saúde avançadas eram cortadas. O Watch7 44mm me pareceu o ponto de equilíbrio: não é o Watch Ultra (que bate em R$ 3.000 e é absurdo de tamanho), mas também não é a versão castrada. Comprei num sábado de manhã, o Mercado Livre entregou na segunda à tarde. Mais rápido do que eu esperava, honestamente.
Tirando da caixa e os primeiros dias
A embalagem é elegante, daquelas que você sente que pagou por alguma coisa. Vem o relógio, a pulseira já montada no estojo, e o carregador magnético. Só o carregador — sem adaptador de tomada na caixa, já esperava isso. O que me pegou foi que a pulseira padrão é de borracha e parece boa, mas ela é pequena. Meu pulso é médio e ficou justa no segundo furo. Nada que impeça o uso, mas quem tiver pulso maior vai querer trocar logo.
Liguei o relógio e ficou 47 minutos atualizando antes de deixar eu usar. Quarenta e sete minutos. Fiquei olhando pra tela de progresso como idiota, pensando que tinha travado. Não travou, foi isso mesmo — atualizou o sistema, o Galaxy AI, e mais alguma coisa que não ficou claro o que era. Dica: liga o relógio na tomada antes de emparelhar, porque senão você fica nessa situação com a bateria caindo.
O pareamento com o Galaxy S23 foi tranquilo. Abre o Galaxy Wearable, ele detecta automaticamente, segue o fluxo. Demorou uns 8 minutos pra configurar tudo e transferir os dados do Saúde Samsung. O único problema que tive foi no segundo dia, quando o relógio sumiu do app — aparecia como "desconectado" mesmo com Bluetooth ativo. Reiniciei o telefone, voltou. Não aconteceu mais.
A primeira coisa que fiz depois de configurar foi colocar no pulso e sair pra caminhar. Queria ver o GPS funcionando sem o telefone. Funcionou, mas demorou uns 3 minutos pra tracar o sinal do zero — normal, mas é algo que você precisa saber se for sair correndo de repente.
Como uso ele todo dia
Minha rotina com o relógio virou essa: acordo, ele já me mostra qualidade de sono e frequência cardíaca da noite. Tem um score de 0 a 100 que o Galaxy AI gera, tipo "sua recuperação foi de 72/100, você teve 1h40 de sono profundo". Umas três vezes isso me fez tomar decisão de não ir academia de manhã porque o número tava baixo demais — e eu acordava sentindo isso na prática. Pode ser efeito placebo, mas coincidiu nas três vezes.
Na academia é onde o relógio brilha mais pra mim. Uso o modo treino de musculação, que detecta automaticamente a maioria dos exercícios. Terça passada tava fazendo supino e ele reconheceu automaticamente depois do terceiro set. Não acertou tudo — no cabo crossover ele me colocou como fazendo voador de halteres — mas acertou uns 70% sem eu precisar selecionar nada, o que já é melhor do que qualquer coisa que eu tinha antes. Registro séries, descanso, duração, tudo fica no Saúde Samsung depois.
Recebo mensagens do WhatsApp direto no pulso e consigo responder por voz ou por teclado pequeno. O teclado é obviamente irritante — letrinhas minúsculas num visor de 44mm — mas a resposta por voz funciona surpreendentemente bem. Ditei uma mensagem de duas frases pro meu chefe numa reunião, sem tirar o telefone do bolso. Ele nem percebeu de onde veio a resposta. Isso pra mim é funcionalidade real, não feature de showoff.
Fim de semana passado fui numa trilha de bike de quase três horas. Fui sem o telefone, só com o relógio. Ele mapou a rota inteira pelo GPS embutido, registrou altitude, frequência cardíaca em tempo real, e no final me deu um resumo completo. Quando abri o Saúde Samsung depois sincronizou tudo automaticamente. A bateria ficou em 58% depois de 2h40 de GPS ativo — achei muito bom. Esperava 40%, saiu melhor do que isso.
Minha namorada testou por uns 20 minutos na semana passada quando fui no banheiro. Ela achou o relógio grande demais — "parece um relógio de homem velho, aquele tipo enorme", disse ela. Pulso dela é fino, e no 44mm fica exagerado de verdade. Se for comprar pra mulher ou pra quem tem pulso fino, o 40mm faz mais sentido, custando uns R$ 100 a menos dependendo da promoção.
O que me agradou de verdade
O sensor de frequência cardíaca contínua nunca me incomodou como incomodava no Amazfit, que às vezes deixava uma marca avermelhada no pulso depois de horas de uso. O Galaxy Watch7 fica o dia inteiro sem deixar marca, a pressão de leitura parece mais calibrada. Num dia que tive uma reunião estressante em cliente, o relógio vibrou discretamente e mostrou "frequência cardíaca elevada detectada — 112bpm". Olhei, respirei, tomei um copo d'água. Parece bobo mas foi útil.
A tela é bonita de verdade. Não é só "boa pra categoria" — é simplesmente bonita. AMOLED com 2000 nits de brilho máximo, e eu testei isso num sábado de sol forte com tela virada direto pro sol: dava pra ver normalmente. Meu Amazfit anterior ficava ilegível em situações assim. Aqui não. O always-on display também é bem gerenciado, consome menos bateria do que eu esperava.
O Galaxy AI de fato faz coisas que eu não esperava. Tem uma função chamada "Análise de Energia" que cruza sono, exercício e estresse ao longo da semana e gera uma sugestão de quando você deveria se exercitar pra ter melhor performance. Achando que era papo de marketing, ignorei por uma semana. Aí resolvi testar: segui a sugestão de treinar terça de manhã em vez de quinta à tarde. Meu treino foi visivelmente melhor em terça — mais energia, mais foco. Pode ser coincidência, mas fiz três vezes e o padrão se repetiu.
A durabilidade me surpreendeu também. Na segunda semana, o relógio escorregou do meu braço quando eu tava pegando uma caixa pesada no armário — caiu de uns 90cm no chão de porcelanato. Fui apavorado pegar e esperava o pior. Tem um pequeno risco na parte de trás da pulseira de borracha. A tela? Zero. O relógio? Zero. Continuou funcionando normalmente. Não sei se é sorte ou se o Gorilla Glass DX+ é realmente bom, mas passou no teste sem pedir.
O que me incomodou (porque não é tudo flores)
A bateria me vende uma história que não é completamente verdadeira. A Samsung fala em até 40 horas de uso. Na prática, com GPS ativo, always-on display ligado e frequência cardíaca contínua, eu consigo dois dias bons — às vezes menos. Num dia de academia seguido de uma saída à noite onde usei bastante as notificações, fui dormir com 22%. Não é catastrófico, mas carrego a cada dois dias sem falta. Quem usa muito GPS vai carregar todo dia. O carregador magnético é rápido, uns 60 minutos do zero ao completo, mas é mais um cabo pra ter na bolsa quando viaja.
O Galaxy AI é bom, mas às vezes parece que tá tentando ser mais inteligente do que deveria. Uma vez ele me sugeriu "você pode estar com deficiência de magnésio baseado nos seus padrões de sono". Cara, eu sei que ele não é médico e que isso é uma sugestão genérica, mas parece que a Samsung quer que o relógio pareça um médico de pulso. Isso cria expectativa errada. Quando a funcionalidade funciona bem, funciona muito bem. Quando tenta ir além, fica genérico demais pra ser útil.
O app Galaxy Wearable no Android ainda tem uns bugs chatos. Duas vezes na terceira semana as notificações pararam de chegar no relógio sem motivo aparente. Reiniciando o app no telefone voltava, mas é o tipo de coisa que me faria ligar pro suporte se acontecesse mais. Também tem um bug que às vezes o histórico de exercício aparece duplicado no Saúde Samsung — o mesmo treino aparece duas vezes, com os mesmos dados. Fiz print e mandei pro suporte online da Samsung, me disseram que um update vai corrigir, mas ainda não apareceu.
Quem deveria comprar (e quem deveria pular)
Se você tem Samsung Galaxy S21 pra frente e quer um smartwatch que realmente se integra ao ecosistema, o Watch7 faz sentido. Especialmente se você pratica alguma atividade física com regularidade — academia, corrida, ciclismo — e quer dados reais sem precisar carregar o telefone. Também faz sentido se você recebe muitas notificações e quer responder coisas rápidas sem tirar o telefone do bolso em reunião. Pra esse perfil, os R$ 1.399 são justificáveis porque você vai usar as funcionalidades que custaram esse preço.
Agora, se você tem iPhone, esquece — o Watch7 não funciona com iOS, é Android exclusivo e, na prática, funciona melhor ainda dentro do universo Samsung. Se você só quer ver horas e contar passos, um Amazfit GTR 4 por R$ 600 ou um Xiaomi Band 8 por R$ 250 faz isso igualmente bem e a bateria dura semanas. Se você quer GPS preciso pra corrida e ciclismo de alto nível, o Garmin Forerunner 265 bate o Watch7 nessa categoria específica, mesmo sendo mais caro. O Watch7 é melhor quando você quer o pacote completo do cotidiano — saúde, notificações, pagamentos, integração — não quando você quer ser um atleta de elite.
Pagar R$ 1.399 nele faz sentido?
Depende de com quem você compara. Contra o Galaxy Watch FE (R$ 850), o Watch7 justifica os R$ 550 a mais em processamento mais rápido, Galaxy AI, sensores de saúde mais precisos e GPS embutido de qualidade melhor. Se você vai usar pra mais do que passos e notificações, o Watch7 é o mínimo que eu compraria dentro da linha Galaxy. Contra o Garmin Venu 3 (R$ 2.000), o Watch7 perde em precisão esportiva e ganha em integração com o Android do dia a dia. São filosofias diferentes de produto.
O preço de R$ 1.399 no Mercado Livre é competitivo — já vi esse mesmo relógio em R$ 1.600 em lojas físicas. Não é barato, mas dentro do que entrega pra quem usa Samsung, é honesto. O que você não pode fazer é comprar achando que vai usar 10% das funcionalidades e sentir que valeu. Esse relógio foi feito pra quem vai explorar o que tem dentro.
Veredicto sincero
Eu compraria de novo — sim, sem hesitar muito. O Watch7 virou parte da minha rotina de uma forma que o Amazfit nunca virou. Não é perfeito: a bateria mente no papel, o app tem bugs, e o Galaxy AI às vezes exagera no dramatismo das sugestões. Mas no balanço geral, ele faz mais coisas úteis de verdade do que qualquer smartwatch que já tive. Se você é usuário Samsung e tá no limite de trocar ou não, tira o time de campo — compra.
R$1399.00
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