Samsung Galaxy S24 Galaxy Ai 256GB Preto 8GB RAM
R$3950.99
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Como cheguei nesse smartphone
Meu Motorola Edge 30 começou a me dar trabalho em dezembro do ano passado. Bateria caindo 20% por hora sem fazer nada, tela com uma listra horizontal no canto direito que aparecia quando batia o sol direto. Fui aguentando, aguentando, até que num domingo de manhã ele simplesmente não ligou mais. Eu tinha uma apresentação na segunda. Corri no shopping, comprei um carregador diferente, tentei de tudo. Nada. Aí eu falei: bora trocar de uma vez.
Tava de olho no S24 faz uns meses, desde que a Samsung começou a falar dessa parada de Galaxy AI. Confesso que achei que era marketing puro — tipo, "AI" virou palavra mágica que qualquer marca bota no produto pra cobrar mais caro. Mas aí vi uns vídeos de pessoas usando o Circle to Search, o negócio de tradução ao vivo de chamadas, e fiquei curioso de verdade. Meu cunhado tem o S23 Ultra e sempre fica na dele, mas queria algo mais compacto, porque esse Ultra é uma tábua de cortar queijo no bolso.
Achei no Mercado Livre por R$ 3.950,99 — versão 256GB, 8GB de RAM, preto. Tinha a versão de 128GB uns duzentos reais mais barata, mas paguei a diferença sem pensar duas vezes. 128GB com app do banco, Spotify offline, fotos de viagem e uns dois jogos... já tá espremido. Confirmei o pedido numa quinta à noite, chegou na segunda de manhã. Mais rápido do que eu esperava.
Tirando da caixa e os primeiros dias
A caixa chegou sem nenhum amassado, bem embalada com aquele plástico de bolinha ao redor. A caixa do S24 em si é aquele estilo minimalista Samsung — fina, sem frescura. Vem o celular, o cabo USB-C, o ejector do chip e um folheto de garantia. Nada de carregador. Tive que usar o da Samsung que eu tinha do Note antigo. Sei que todo mundo já sabe que não vem carregador, mas ainda dói um pouco pagar quase quatro mil e não ter.
Liguei na primeira vez e ficou 34 minutos atualizando. Fui fazer café, voltei, ainda atualizando. Paciência. Quando finalizou, aquela tela de configuração inicial que te pergunta se quer migrar do Android anterior — funcionou certinho. Em uns 20 minutos, meus apps, contatos, fotos e configurações de Wi-Fi estavam lá. O único que não migrou direito foi o Google Authenticator, mas isso é problema do app, não do Samsung.
Primeira impressão ao segurar: é mais fino do que parece nas fotos. O acabamento preto tem um leve brilho fosco que não pega impressão digital fácil. Comparado ao meu Motorola, que depois de seis meses parecia que eu tinha passado lixa, o S24 parece mais resistente só de segurar. A tela de 6,2 polegadas me deixou satisfeito — não é um celular pequeno, mas cabe confortavelmente numa mão. Quando minha namorada pegou pra ver, ela disse que era pesado. Eu não achei. Mas ela vinha de um iPhone SE, então essa comparação não é justa.
No primeiro dia, fiz o que qualquer nerd faz: fui testar câmera. Saí lá fora às 18h, com aquela luz dourada do fim de tarde, e tirei umas 40 fotos de nada — grade de janela, planta no jardim, cachorro do vizinho. A câmera principal de 50MP entregou detalhe que eu não tava esperando pra esse nível de preço. O modo retrato com o cachorro ficou tão bom que eu quase postei, mas é o cachorro do vizinho, seria estranho.
Como uso ele todo dia
Trabalho com design e passo boa parte do dia olhando referências, abrindo PDFs, entrando em call. Na semana passada, tive uma call de duas horas no Google Meet enquanto andava pelo apartamento — bateria caiu de 80% pra 52%. Isso pra mim é bom. Meu Motorola teria pedido carregador lá pela primeira hora. Com uso pesado de tela, tráfego de dados, câmera e redes sociais, o S24 costuma terminar o dia com uns 25-30% de bateria. Não é iPhone 15 Pro, que parece que vai a semana inteira, mas é um resultado decente.
Sábado passado fui num evento de design aqui em São Paulo, e usei o Circle to Search umas seis vezes seguidas. Você segura o botão home, circula qualquer coisa na tela — um logotipo, uma fonte, um produto num post de Instagram — e ele faz a busca no Google sem sair do app. Parece frescura, mas quando você tá num evento olhando referências no Instagram e quer saber o nome daquela fonte que apareceu num cartaz, é genuinamente útil. Não é mágica. Às vezes ele erra a busca, principalmente com fontes. Mas três em seis acertou de primeira, o que já é mais do que eu esperava.
Minha mãe veio me visitar no fim de semana e ela tem esse costume de ligar vídeo quando tá perto — fica me mostrando o que tá vendo em tempo real, igual tour ao vivo. Ela ligou do iPhone dela e a qualidade do áudio do meu lado foi o que ela mais comentou. "Você comprou microfone novo?" Não, mãe, é o celular. O microfone do S24 de fato é melhor do que eu esperava. Gravei uma reunião de uma hora e meia aqui em casa — eu e mais três pessoas em torno da mesa — e a transcrição pelo Gemini depois pegou praticamente tudo, mesmo com sobreposição de voz.
Joguei bastante nos primeiros dias, fui honesto. Instalei Genshin Impact pra testar o limite, rodou em gráfico alto sem travar, ficou esquentando depois de uns 40 minutos de sessão. Não queima a mão, mas você sente que tá trabalhando. Abaixei pra gráfico médio e o esquentamento sumiu quase que completamente. Pra quem usa o celular mais pra trabalho e foto do que pra game pesado, isso não vai ser problema. Pra quem joga muito, aí é conversa diferente.
Uma coisa que descobri por acidente: o negócio de tradução ao vivo de chamadas. Recebi uma ligação de um fornecedor que fala inglês com sotaque indiano forte, e eu tava com dificuldade. Ativei a tradução ao vivo e apareceu legenda em tempo real na tela. Não é perfeito — ele errou umas três palavras técnicas — mas foi o suficiente pra eu entender o contexto e responder. Isso eu não tava esperando que fosse funcionar tão bem.
O que me agradou de verdade
A tela é o que mais me surpreendeu. Isso porque eu não tava esperando diferença tão visível. Quando abri o Lightroom Mobile e comecei a editar fotos, a representação de cor me pareceu diferente — mais fiel. Mostrei a mesma foto editada no S24 e no Motorola pro meu amigo Lucas, que é fotógrafo, e ele imediatamente disse que o Samsung tava mostrando a cor certa. 2600 nits de brilho máximo também fez diferença quando fui usar o GPS no carro num dia de sol forte. Não precisei colocar no modo noturno nem tampar a tela com a mão. Simplesmente dava pra ver.
A velocidade de atualização de software foi uma surpresa positiva. O S24 veio com Android 14 e atualização de segurança do mês em que eu comprei — não tinha aquela pegadinha de "abre a caixa, tem três atualizações pendentes de meses atrás". Samsung prometeu sete anos de atualização de sistema operacional pra essa geração. Sete anos. Meu Motorola Edge 30 recebeu uma atualização de sistema em dois anos e acabou. Isso pesou na minha decisão mais do que qualquer feature de AI.
O leitor de impressão digital embaixo da tela finalmente funcionou do jeito que deveria. Já usei outros celulares com essa tecnologia e sempre precisava de duas ou três tentativas — molhou a mão, deu errado; levantou o dedo torto, não reconheceu. No S24, de duas semanas pra cá, acho que errou umas três vezes. Três. Pra mim, que precisava autenticar app de banco várias vezes por dia, isso tem valor real.
E o processador Exynos 2400 — que é o que vem na versão brasileira, não o Snapdragon que vai pra outros países — me surpreendeu positivamente. Eu tinha lido reclamação de gente sobre o Exynos ser mais fraco, mais quente. No uso real, não percebi isso no dia a dia. Apps abrem rápido, multitarefa funciona, não trava em nada que eu faça normalmente. Talvez em benchmark de laboratório o Snapdragon vença. Na prática, pra mim, não fez diferença.
O que me incomodou (porque não é tudo flores)
O carregamento de 25W é lento pra categoria. Saindo de 10% pra 100% leva em torno de 80 minutos. Em 2024, com Xiaomi e OnePlus carregando 67W ou mais, isso parece conservador demais. A Samsung justifica com durabilidade da bateria a longo prazo, e tudo bem, eu entendo o argumento. Mas quando você acorda com 8% e tem 20 minutos pra sair de casa, 25W dói. O carregamento sem fio de 15W é ainda mais lento — eu largo na placa e vou dormir, funciona, mas se precisar de carga rápida de emergência, cabo é obrigatório.
A One UI em cima do Android tem umas telas de configuração que parecem um labirinto. Fui tentar ativar o modo de uso com uma mão — levei quatro minutos pra achar onde ficava. Meu namorado que mexeu no celular foi mais rápido porque desistiu e pesquisou no YouTube. A Samsung colocou tanta coisa no menu de configurações que qualquer tarefa simples vira uma expedição. Não é problema novo, a One UI sempre foi assim, mas eu esperava que em 2024 tivessem simplificado um pouco mais.
O zoom de 3x do S24 é funcional, mas se você tá acostumado com telefone que tem teleobjetiva dedicada, vai sentir a diferença. O zoom digital acima de 3x começa a mostrar artefato nas bordas em fotos de baixa luz. Tirei uma foto da lua numa noite clara e, com zoom máximo, ficou uma bola branca borrada. Funcional pra enviar no grupo da família, mas não pra imprimir. Se fotografia é prioridade pra você, o S24 padrão deixa a desejar nesse ponto específico — o Ultra resolveria, mas aí é outro orçamento completamente.
Quem deveria comprar (e quem deveria pular)
Se você usa o celular pra trabalho — reuniões, documentos, navegação, redes sociais, câmera pra conteúdo casual — e quer um Android que vai durar e ser suportado por muitos anos, esse é um dos melhores R$ 4.000 que você vai gastar em tech hoje. Se você gosta de tecnologia mas também quer um celular que não dê trabalho, que funcione, que atualize, que tenha suporte de verdade, o S24 entrega exatamente isso. A galera que trabalha home office, que fica em call o dia inteiro, que depende do celular tanto quanto do computador — esse telefone vai servir bem.
Agora, se você é o tipo que joga muito, quer o máximo de câmera, ou não tem paciência pra interface da Samsung, tem outras opções. O Pixel 8 da Google anda na mesma faixa de preço no Brasil em algumas lojas, tem câmera com processamento de imagem superior e Android mais limpo. O Xiaomi 14 chegou mais barato com carregamento muito mais rápido. Se câmera de zoom é prioridade absoluta, o S24+ ou o S24 Ultra são outros patamares, mas aí dobra o orçamento. E se você tá feliz com um iPhone SE ou qualquer Android de R$ 2.000, provavelmente não vai notar diferença suficiente pra justificar o pulo.
Pagar R$ 3.950,99 nele faz sentido?
Comparado ao Pixel 8 — que gira em torno de R$ 3.200 a R$ 3.500 dependendo do dia e do site — o S24 cobra um prêmio por melhor tela, mais armazenamento na versão base e o ecossistema Galaxy AI. Se você usa muito Google e prefere Android puro, o Pixel entrega mais por menos. Agora, comparado ao iPhone 15 padrão, que no Brasil custa uns R$ 5.500 a R$ 6.000, o S24 ganha na relação custo-benefício com specs superiores no papel — mais RAM, mais armazenamento, mais opções de câmera.
O preço de R$ 3.950,99 é alto pra quem tá acostumado com Android de até dois mil reais. Mas se você já decidiu que quer um flagship Android — não intermediário, não "quase flagship" — esse é um valor razoável pra o que entrega. Não é barato. Nunca vai ser barato. Mas não é dinheiro desperdiçado.
Veredicto sincero
Eu compraria de novo, sim. Não porque é perfeito — o carregamento lento irrita, a One UI continua confusa e o zoom médio decepciona. Mas o conjunto funciona de um jeito que eu não esperava: a tela é bonita de verdade, o desempenho no dia a dia é sólido, a câmera principal entrega fotos que eu teria orgulho de mostrar, e a promessa de sete anos de atualização pesa muito num mercado que costuma abandonar celular depois de dois. Depois de duas semanas, não sinto aquela vontade de voltar atrás que às vezes aparece quando você troca de produto. O S24 ficou. Por enquanto, pelo menos.
R$3950.99
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