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Apple Watch SE 2 Geração (GPS) 44 mm midnight (Preto)
Felipe Zanoni

Por Felipe Zanoni · Editor-chefe

Publicado em 2026-05-03

SMARTWATCH

Apple Watch SE 2 Geração (GPS) 44 mm midnight (Preto)

4.9/5

610 AVALIAÇÕES

Como cheguei nesse smartwatch

Eu vinha usando um Amazfit GTS 2 Mini há uns dois anos. Sabe aquele relógio que você compra achando que vai resolver a vida e aí vai descobrindo, aos poucos, que ele resolve o suficiente mas nunca o suficiente de verdade? Era exatamente isso. A bateria durava uma semana, o que é ótimo, mas o app de saúde era uma merda mal feita, a integração com o iPhone travava uma vez por semana e o GPS demorava três minutos pra travar sinal quando eu saía pra correr. Funcionava, mas nunca sem atrito.

Aí meu cunhado veio passar uns dias aqui em casa em março. Ele usa um Apple Watch Series 9 e ficou me mostrando umas paradas — pagamento por NFC, troca de música direto no pulso, resposta de mensagem pelo relógio mesmo. Não era nada que eu não soubesse que existia, mas ver funcionando na prática, sem lag, sem bug, me deu uma vontade que eu tentei ignorar por umas duas semanas. Não consegui.

Fui pesquisar e bati o olho no SE 2. O Series 9 tava R$ 700 mais caro e as funcionalidades extras — tela always-on, sensor de temperatura, ECG completo — não eram coisas que eu usaria no dia a dia. Comprei o SE 2 de 44mm no Mercado Livre por R$ 1.799. Chegou em dois dias, embalagem lacrada, nota fiscal. Tudo certo.

Tirando da caixa e os primeiros dias

A caixa é aquele papelão branco minimalista da Apple, sabe. Produto dentro, cabo magnético de carregamento, nada mais. Sem carregador de tomada — já esperava isso, mas ainda assim é uma sacanagem. A pulseira midnight vem em dois tamanhos de fivela na mesma caixa, o que é um detalhe legal que a maioria ignora. Coloquei no pulso na hora. Bonito de verdade. O acabamento midnight é um preto levemente acinzentado que fica bem com qualquer coisa, diferente do preto fosco barato que você vê em relógio de R$ 200.

O setup foi tranquilo — aproximei do iPhone, abriu um fluxo automático, três minutos e tava configurado. Aí veio a primeira pegadinha: ficou 38 minutos atualizando o watchOS antes de me deixar usar de verdade. Fiquei olhando pra ele na bancada como um idiota, com ele mostrando barra de progresso. Não é um defeito, é só o processo, mas ninguém te avisa isso na hora da compra.

Nos primeiros dois dias senti aquela estranheza de ter uma coisa nova no pulso. O relógio é um pouco mais pesado do que o Amazfit — não incômodo, mas perceptível. Minha namorada experimentou no pulso dela e falou que achou grande demais, que pra ela o 40mm seria mais adequado. Pra mim, o 44mm ficou na medida. Braço mais largo, talvez.

Primeiro teste real foi na sexta seguinte. Fui correr 6km no parque. GPS travou em 18 segundos — e olha que eu tava debaixo de árvore. Comparado ao Amazfit isso foi uma virada de jogo. Frequência cardíaca durante a corrida ficou aparecendo no pulso sem eu precisar fazer nada. Quando cheguei em casa, o resumo no app Saúde já tava lá, com mapa do percurso, pace por km, altitude. Isso funcionou direto, sem configuração extra.

Como uso ele todo dia

Semana passada acordei 7h com uma vibração no pulso — era alarme do relógio, não do celular. Não acordei minha namorada que tava dormindo do meu lado. Parece coisa pequena mas isso mudou a dinâmica da manhã inteira. O tapinha no pulso pra acordar é completamente diferente de um alarme berrando na cabeceira.

Uso bastante o pagamento por NFC. Na segunda-feira fui comprar pão na padaria na esquina, sem celular, só com o relógio mesmo. Aproximei no maquininha, validei com o digital no botão lateral, passou na hora. O cara na padaria olhou torto e disse que nunca tinha visto isso antes. Fiquei me sentindo no futuro por uns 30 segundos, o que é embaraçoso de admitir mas aconteceu.

Terça-feira tava num cliente — reunião que durou umas duas horas — com o celular no silencioso dentro da bolsa. Toda vez que chegava mensagem importante eu via no pulso e decidia na hora se precisava responder ou podia esperar. Sem tirar celular, sem parecer grosseiro. Isso, sinceramente, foi o uso que mais justificou o preço pra mim.

Pra academia, uso quase todo dia. Tem o app de treino nativo que detecta automaticamente quando você começa um exercício — malhar peito por uns dois minutos e ele vibra perguntando se tá fazendo musculação. Isso é bem legal. O que não é tão legal é que o monitoramento de exercícios específicos como agachamento livre é bem básico, conta repetição às vezes errado. Mas frequência cardíaca e calorias tão ali o tempo todo, o que já resolve pra mim.

Sábado passado caiu da minha estante de umas 90cm de altura enquanto eu tava carregando. Bateu no piso de porcelanato. Fui pegar achando que tinha lascado a tela e não tinha absolutamente nada — vidro Ion-X sem um arranhão. A pulseira ficou com uma marquinha branca pequenininha na lateral, mas funciona normal. Fiquei aliviado demais.

O que me agradou de verdade

A integração com o iPhone é num nível que eu não consigo explicar direito pra quem nunca usou. Quando chega ligação, o relógio vibra antes do celular tocar. Quando respondo uma mensagem no relógio por voz, ela vai pro iPhone como se eu tivesse digitado lá. O app de clima no relógio atualiza junto com o que tá no iPhone. Isso não parece mágica depois de duas semanas, parece o padrão — e aí você entende por que quem usa Apple Watch raramente volta pra outra coisa.

O sensor de frequência cardíaca me pegou de surpresa numa tarde de quarta-feira. Tava trabalhando, estressado com um prazo, e o relógio vibrou com uma notificação falando que minha frequência cardíaca tava elevada em repouso — 102 bpm — e perguntando se eu tava bem. Parei, respirei, bebi água. Não acho que teria percebido isso sem o aviso. Não sei se salvou minha vida nem nada dramático assim, mas foi um check-in que fez sentido naquele momento.

A detecção de queda eu testei involuntariamente. Tropecei na calçada e caí de joelho — nada sério — e o relógio perguntou se eu tinha caído e se precisava acionar emergência. Respondi que não, tava bem. A feature funcionou exatamente como prometido, e num momento real, não num teste inventado. Isso me fez levar a sério as outras funcionalidades de saúde também.

Bateria. Tô carregando todo dia à noite, mas o relógio chega no fim do dia com 35 a 40% ainda. Um dia esqueci de carregar e usei dois dias seguidos com uso normal — foi pra 8% mas aguentou. Não é semana inteira como o Amazfit, mas é suficiente pro dia a dia sem neura.

O que me incomodou (porque não é tudo flores)

Não tem tela always-on. Isso é a diferença mais prática entre o SE e o Series 9, e eu subestimei antes de comprar. Pra ver as horas, preciso levantar o pulso ou tocar na tela. Na maioria das vezes funciona — o sensor de giro do pulso é preciso. Mas tem momentos em que você levanta o pulso de um jeito diferente, ele não acende, e você levanta de novo. Pequena frustração, mas acontece umas quatro vezes por dia. Com o tempo você aprende o movimento certo, mas por que precisa aprender um movimento específico?

Sem ECG completo. O SE tem monitoramento de ritmo cardíaco irregular que avisa se detectar algo fora do padrão, mas não faz o eletrocardiograma completo que o Series 8 e 9 fazem. Pra mim, não faz diferença nenhuma — não tenho histórico cardíaco e uso o relógio pra fitness e produtividade. Mas se você tem arritmia, fibrilação ou acompanha condição cardíaca de perto, isso é uma limitação real e você deveria considerar o Series mais novo.

O carregador magnético proprietário é irritante. Não carrega por USB-C padrão, não carrega por Qi, precisa do cabo específico. Perdi o cabo por dois dias e fiquei sem carregar o relógio. Quando acho que a Apple ia simplificar isso no SE 2, não simplificou. É um cabo a mais pra carregar, mais um item pra levar em viagem. Pequeno, mas persistente como incômodo.

Quem deveria comprar (e quem deveria pular)

Se você usa iPhone, faz academia com alguma regularidade, quer monitorar saúde de forma séria mas sem virar médico, e tá cansado de relógio Android ou smartwatch genérico que trava e não conversa direito com o seu telefone — você vai amar esse relógio. Especialmente se for a primeira vez que você entra no ecossistema Apple Watch, porque a curva de adaptação é baixa e o ganho de qualidade de vida no dia a dia é real, não imaginado. O pessoal que corre, pedala ou pratica esporte com frequência vai gostar bastante do GPS preciso e do monitoramento automático de treino.

Se você usa Android, já pode parar de ler. Apple Watch não funciona com Android, ponto. Se você usa iPhone mas quer bateria de cinco dias, tela sempre ligada, ECG completo, sensor de temperatura de pele e não se importa de gastar R$ 700 a mais, pega o Series 9 direto. Se você é usuário de smartwatch que usa o relógio quase só como extensão de notificação e raramente abre app de saúde, talvez um Galaxy Watch ou um Amazfit de R$ 600 resolva do mesmo jeito sem o investimento que o SE pede.

Pagar R$ 1.799 nele faz sentido?

Comparando com o que existe: o Galaxy Watch 6 de 44mm sai em torno de R$ 1.400 e é uma boa pedida pra quem usa Android. Mas pra usuário de iPhone, a integração é notavelmente inferior — você perde Handoff, Apple Pay, resposta de mensagem pelo relógio via iMessage, sincronização automática com o app Saúde nativo. A experiência não é a mesma. O Amazfit Balance, que eu quase comprei antes de decidir pelo SE, sai por R$ 900 e tem GPS, AMOLED, bateria de 14 dias. Funciona bem isolado, mas depende de app de terceiro pra conversar com o iPhone, e isso cria atrito que você vai sentir todo dia.

R$ 1.799 num smartwatch parece caro até você usar por duas semanas e calcular quantas vezes por dia ele te economizou tirar o celular do bolso, quantas notificações você filtrou sem interromper uma conversa, quantas vezes o alarme de pulso não acordou a pessoa do seu lado. Não é um produto de luxo performático — é ferramenta. Se você usa iPhone e vai usar o relógio de verdade, o custo-benefício fecha. Se vai usar pra ver hora e contar passo, não fecha.

Veredicto sincero

Eu compraria de novo, sem hesitar. Não porque é o melhor smartwatch do mundo em especificações — não é. É porque dentro do ecossistema Apple, ele funciona de um jeito que me fez parar de notar que estou usando um dispositivo e comecei a só usar. Essa transparência de uso, sem atrito, sem bug semanal, sem configuração manual, é o que o preço compra. Pra quem já está no iPhone e tá considerando, o SE 2 de 44mm é o ponto de entrada que faz sentido. Não subestime o quanto a tela always-on vai fazer falta depois — mas até você sentir essa falta, você já vai estar viciado no resto.

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